Às vezes fico assustada como a educação dos homens se tornou utópica, ando reparando neles e cheguei a conclusões no mínimo absurdas!
Outro dia no shopping observei um casal, eles saiam dessas lojas típicas de presente de casamento. Ela carregava uma caixa imensa, que de tão grande cobria seus olhos, deixando-a com dificuldade para caminhar. Enquanto ele carregava uma sacolinha de plástico, dessas de supermercado com algum objeto do tamanho de uma lâmpada convencional, percebi pelo volume que fazia no pacote. Ele andava tranqüilamente, sorrindo… todo fanfarrão.
Também já vivi situações semelhantes. Uma vez estava no carro com um rapaz, parei na estrada para comprar uma melancia, conversei com o vendedor, paguei e esperei esse tal rapaz tomar a iniciativa de sair do carro e me ajudar pelo menos com o peso. Nada! Então fui pegar a melancia, o rapaz que me vendeu falou que eu não agüentaria sozinha, mas também não se propôs a me ajuda. Dito e feito, não agüentei o peso! Tive que chamar o tal rapaz que me acompanhava no carro.
Outras vezes vivo a falta de gentileza no prédio onde moro, mo meu trabalho, no shopping… um exemplo é o vizinho de cima. O cara é muito mal educado, depois de soltar a porta do elevador em mim algumas vezes comecei a me adiantar e a segurar a porta para ele passar. Sou assim, com as pessoas mais mal educadas faço questão de ser gentil e cortez. Ele atravessa o elevador sem o menor constrangimento. Isso também ocorre muito no local onde trabalho, os homens soltando portas na gente. Uma vez estava com o braço engessado e um rapaz soltou um portão em mim, quando ele viu meu braço enfaixado e a minha dificuldade para agüentar o peso do portão com o braço esquerdo, voltou pedindo desculpas, afinal não tinha visto da primeira vez a faixa. Ou seja, ele vai continuar soltando as portas nas mulheres.
A última vez que fui ao teatro avistei um grupo de idosos. Devia ter umas seis mulheres e uns dois homens. Na hora de ir embora os dois homens atravessaram a rua e não olharam para trás. As mulheres tentaram acompanhá-los depois da passagem de alguns carros, até que uma delas caiu no chão. E foi o maior sufoco para conseguirem reerguê-la, eram apenas senhoras idosas. Depois de algum tempo os velhinhos que se adiantaram perceberam que sua colega havia caído, eles apenas comentaram Dona Fulana caiu e não tomaram nenhuma atitudde.
Em contrapartida tenho muita esperança que a coisa mude! Que venha uma nova geração de rapazes finos e educados. Acho que meu irmão faz parte dessa equipe de transição. No meu serviço reparo sempre num casal. O rapaz vem buscar a mocinha. Eles são bem jovens. Quando ele percebe que a namorada esta chegando vai a sua direção, pega as coisas que lhe ocupam as mãos, abre a porta do carro, ela entra, ele dá um beijo nela e fecha a porta. Todos os dias esse mesmo ritual. Não sei se isso acontece pelo fogo da paixão mas a gentileza parece que saiu de moda e quando vemos alguma cordialidade ficamos até admiradas.
Definição de cavalheirismo no Aurélio, Houaiss e Michaelis: ato nobre, gentil, delicado, distinto.



