Amor & Sexo

28 08 2009

Hoje estréia um programa, na Rede Globo, com a apresentação da Fernanda linda Lima. Provavelmente eu não vou assistir, mas nos reclames a modelo aparece fazendo uma pergunta, e eu gostaria de lançar mais uma enquête com minhas leitoras do sexo feminino.





Cavalera AMA São Paulo – E eu também!

23 06 2009

Nunca fui muito a favor de bairrismos, acho que é o jeito paulista de ser… nós hospedamos em nossas cidades gente de todo o Brasil (e até do mundo) de uma forma muito hospedeira.

O mesmo muitas vezes não acontece quando nós, os paulistas, chegamos a outros estados. Sempre que vou a outro estado, ainda do táxi do aeroporto ao hotel, escuto alguém falando mal da minha cidade, muitos nem conhecem só sabe de Sampa pelo noticiário. E na época que morei em Florianópolis, porque entrei na universidade estadual, escutei que estava tirando a vaga de um catarinense. Eu era a única paulista do curso de moda da UDESC na época e se formos contar ao pé da letra, existem muitos mais catarinenses vivendo aqui do que paulistas vivendo lá. Foi depois de escutar essa frase que alguma coisa mudou em mim, passei a pensar diferente. Talvez se fossemos mais secos, mais bairristas o nosso estado não estaria como esta, falando de violência e transito caótico principalmente, porém às vezes penso que esse é o preço do progresso.

Fiz uma pesquisa rápida entre minhas colegas de trabalho, perguntei onde elas e os seus pais nasceram e o resultado foi o seguinte:

Debora – Paulistana da gema*.
Karina, Cíntia, Camila, Vânia, Binha, Mara – Paulistas da gema*.
Fernanda – Paulista filha de mato-grossense.
Rosana, Ivani – Paulista filha de mineiros.
Juliana – Paulista filha de mineiro e alagoano.
Kelly – Paulista filha de carioca.
Simone – Paulista filha de baianos.
Cris – Paulistana filha de baianos.
Silvia – Pernambucana.
Jeane – Mineira.
Nalva – Baiana.
Shaiane – Gaúcha.
Mônica – Carioca.

Vamos considerar genuinamente paulista a pessoa que nasceu no estado e é filha de paulista também, daí temos:

39% das pessoas que trabalham comigo são paulistas da gema* e 61% não são paulistas ou os pais que não são. Sendo assim a minha teoria que a maior parte das pessoas que vivem no estado não são pessoas que nasceram aqui e sim são imigrantes de outros estados continua válida!

Infelizmente aqui na América do Sul as coisas não são muito frenéticas e creio que em São Paulo seja um dos únicos lugares que as coisas acontecem. A gente tem um pouco de vida cultural, vemos espetáculos da Broadway, shows internacionais, temos museus, parques bonitos, zoológicos, festas, restaurantes para todos os bolsos e paladares, baladas para todas as tribos e acesso a outras coisitas que raramente expandem ao longo do Brasilzão. Por isso, adorei o desfile da Cavalera para a São Paulo Fashion Week, foi de fato uma declaração de amor a Sampa, algo ousado de fato, porém creio que chagará em outros estados de forma bem minimizada, afinal de contas a grife é extremamente comercial.

O desfile foi no minhocão, uma construção horrível e cinza em São Paulo, o dia estava atípico por ser inverno, sol, calorzinho e os modelos vestidos com cores e até com a nossa própria bandeira, sei que pode ter chocado alguns, mas eu paulista e paulistana amei, simplesmente adorarei a coleção. Pranchão com a bandeira do estado para mim foi o mut have da estação, sei que provavelmente não estará a venda e sim decorando alguma loja, mas depois na troca de coleção estamos aí.

*da gema: termo que carioca usa para designar quando a pessoa nasceu no Rio e seus pais também, no caso usei para falar de paulista de pais paulistas, ok?





Rodeio em Osasco

6 05 2009


Aqui em Osasco, um grupo de militantes vegetarianos luta pelo fim do rodeio da cidade, que segundo me consta é o quarto maior do país. Eu, sinceramente também estou nessa luta! Sou vegetariana há 14 anos por amor aos animais, sendo assim sou contra qualquer atrocidade que se faz contra eles. O rodeio é algo muito violento, prendem-se os testículos do touro para ele dar aqueles saltos frenéticos, o pião bate com esporas pontiagudas no couro do bicho e ainda vai um nego e dá um choque no animal para ele pular ainda mais.

Acho muito estranho a pessoa de bem e inteligente ir a esse tipo de evento e “se divertir”, como sempre digo, as vezes, para não precisar mudar algumas atitudes as pessoas prefere cegar-se a se aprofundar na verdadeira essência de seus atos.


Ví muitos desses lamb-lambs espalhados pela cidade. Observei também que muitos eram rapidamente rasgados. É o resultado da população que quer se enganar e dos interessados financeiramente nesse tipo de evento. Oro muito a Deus pelo dia em que o bicho homem irá respeitar todos os outros bichos e parará de se alimentar de seu sangue tal qual se divertir com torturas idiotas.

No banner abaixo você poderá ir ao site Odeio Rodeio e ter mais informações sobre esse movimento.





Casamento de Nalini Sita

4 05 2009


No dia do aparecimento de Sita, como já falei aqui, uma amiga muito querida para mim e para a aniversariante casou-se no samadhi de Srila Prabhupada, em Nova Gokula que fica na cidade e Pindamonhangaba, interior do estado de São Paulo. O dia começou nublado e friozinho, poréme quando se aproximou da hora do casamento Indra, a chuva, apareceu e banhou toda a fazenda enquanto do outro lado Surya, o sol, chegava todo poderoso para iluminar o grande momento.


Durante a cerimônia ouvia-se o canto dos pássaros que se confundiam com os mantras védicos entoados pelo brahmana Harinama que liderou toda a cerimônia com a ajuda de sua bela esposa Anandini e de Diwoka prabhu. O casal, Nalini Sita e Karuna, estavam radiantes, muito nervosos e apaixonados. Houve um momento que Nalini chorou de emoção ouvindo as palavras doces com sotaque castelhano de seu esposo e eu também me emocionei. Foi um casamento simples, porém o mais bonito que já vi entre os vaishnavas pelo sentimento de amor mutuo que estava ali escancarado para quem quisesse ver.


Nalini e Karuna contaram com a presença de muitos familiares da noiva, dentre eles os pais, irmã e filhos dela… porém receberam uma benção em especial, a de seu Gurudeva Jayapataka Swami, que ao ser avisado por um discípulo do casório disse: “isto já estava feito”.

 

Nova Gokula estava lotada, os devotos de Franco da Rocha apareceram, só eles já causam uma festa completa, além da presença de dois swamis na fazenda Maharaj Chandramukha e Maharaj Dhanvantari. Ao meu lado tinham duas moças atônitas, só ouvia que estavam maravilhadas e achando tudo muito lindo.

 


Parabéns ao mais novo casal da ISKCON, que Krishna derrame todas as benção em seu lar. Minha Cereja, te amo e desejo toda a felicidade do mundo. Embora estejamos um pouco distante fisicamente, saiba que meu amor e admiração por você é e sempre será o mesmo. Mande um beijo para o Felipe e fala para ele não babar.*

(*) Piada interna.





Amigos.com

28 03 2009

Sabe uma das coisas que mais prezo na vida? São meus amigos, mas quando falo de amigos, falo daqueles com “A” MAIÚSCULO, não aqueles que são meus amigos porque tenho casa na praia, porque paqueram meu primo, por exemplo. Eu prezo aqueles que gostam de mim, simplesmente por mim e olha que não é muito fácil. Tenho o censo de justiça muito aflorado, sou debochada, mimada e às vezes completamente maluca. Porém ainda há um grupinho de insanos que gostam de mim, esses são meus amigos reais, aqueles que encontro com certa freqüência, que conheço pessoalmente, que já tomei um sorvete junto. Aqueles que me vem me ver quando estou triste e que quando sentem saudades, não resolve o problema apenas com um recado no Orkut, aliás, odeio parabéns pelo Orkut.

Ontem foi um dia bastante especial. Meus amigos e eu fomos andar de patins no gelo, para a maioria uma experiência inédita. Quando chegamos lá, com exceção da Fernanda, todos desistiram de andar nos patins e se não fosse pelo berreiro que ela fez, não teríamos patinado! Foi divertido, a Fernanda e o Lineu andaram bem. Já a Cintia até levou um tombo. A Lindy foi melhor que a Cris e eu pior que as duas.

 

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Fernanda, Debora, Lindy, Cris, Lineu e Cintia

Falando em amigos, quero prestar uma singela homenagem a minha CEREJA. Minha amiga querida, minha amiga que me faz rir e que me fala sobre Krishna. Minha amiga, boa amiga, ótima mãe e uma devota maravilhosa cantadora de japa! Nesta foto minha amiga (e eu por tabela porque desejo tudo de bom para ela) estava vivendo um momento maravilhoso e parafraseando uma frase dela um homem pode mudar a sua vida, um devoto o seu destino. Há muito tempo não via a minha amiga tão bem e tão feliz.

 

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Enjoy your life with friends!





Estreia de Caminho das Índias

19 01 2009

Começa hoje o que O Estado de São Paulo chamou de o clone de O Clone (2001), ou seja, a novela de Glória Perez Caminho das Índias e cá entre nós, a comparação tem tudo a ver entre as duas novelas da autora e faço um comparativo ainda maior, uma trilogia com a novela Explode Coração (1995).

 

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Cultura:

As três novelas exploraram culturas exóticas, com Explode Coração eram os ciganos, O Clone os marroquinos mulçumanos e Caminhos da Índias é a vez dos indianos hindus.

Triangulo Amoroso:

Em ambas as novelas existem um triangulo amoroso, é sempre assim, os pais querem que as mocinhas casem com um determinado sujeito (geralmente bonito e sem graça) e elas querem casar por amor com alguém que por suas diferenças culturais, não é possível.

Na novela que estréia hoje o triangulo é composto por Maya (Juliana Paes), seu amor Bahuan (Márcio Garcia) e o prometido Raj (Rodrigo Lombardi), já na novela de 2001 da autora o drama era entre Jade (Giovanna Antonelli), que amava Lucas (Murilo Benício) e ficou um tempo com Sayd (Dalton Vigh). E em Explode Coração Cigano Igor (Ricardo Macchi) era o rejeitado por Dara (Teresa Seiblitz) que gostava de Júlio Falcão (Edson Celulari) que além de ser casado, não era cigano. Quem não se lembra da péssima atuação de Ricardo Macchi?

Problema Social:

A autora gosta de explorar um problema social, no O Clone foi o caso de Débora Falabella como drogada, em Explode Coração foram as mães que perdem os filhos e ficam na maior busca para reencontrá-los, na próxima trama das nove será abordado o tema esquizofrenia com o ator Bruno Galiasso na pele de Tarso.

Figurino:

O figurino é esplendoroso! Quem não sonhou com um vestido que nem o da Dara, ou aquelas roupas que a Jade andava dentro de casa (ou quando corria em cenários marroquinos, fazendo a dança da sedução com Lucas, isso deu até casamento na vida real), nenhum look da mulçumana saia por menos de quatro dígitos. Aagora é a vez dos saris coloridos e adornados que serão usados principalmente por Maya.

Choque Cultural:

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Outro tema é mostrar como a cultura exótica é extremamente ignorante. No caso dos mulçumanos todos acharam o maior absurdo a mulher ter que se cobrir fora de casa. Lembro-me de programas da Rede Globo onde as mulheres apareciam como vítimas, porém um canal de televisão, não me lembro qual, fez uma reportagem que achei bem mais pertinente. As mulheres foram questionadas se tivessem livre escolha para usar ou não a burca (aquele traje que é uma túnica preta, onde a cabeça fica toda coberta e a mulher consegue respirar e enxergar por uma redinha) o que fariam? A maioria esmagadora respondeu que continuariam usando a burca, sabem por quê? Porque preferem ficar bonitas dentro de casa, para as pessoas que a amam e são eles que consomem grande parte do mercado de luxo mundial, ou seja, por debaixo da burca preta tem um lindo vestido Givenchy. E embora vivemos numa cultura ocidental cheia de mulheres frutas, se pensarmos bem, é melhor agradar quem se ama a agradar a mídia, não é?

Na próxima novela, pelo que vi nas chamadas, o choque será o casamento arranjado pelos pais e o sistema de casta indiano. A maioria dos indianos gosta desse sistema de casamento arranjado e se orgulham de ser um dos paises com o menor número de divórcios. Eles acham estranho namorar, não vêem o namoro como a gente, que é uma oportunidade para conhecer o outro. Vêem o namoro como uma desculpa para o sexo ilícito sem contar que confiam no sistema de mapa astral, que descobre se aquele é o seu parceiro ideal e pelos índices, geralmente dão certo. O sistema de casta indiano foi proibido há muitos anos, porém ainda acontece disfarçado em muitos lugares. Que nem aqui no Brasil é proibido jogo do bicho ou fumar maconha, mas tem gente que o faz.

Sendo assim, o que espero é mais uma superprodução da Globo, com lindas paisagens da Índia, um figurino deslumbrante que vai fazer a cabeça das brasileira (quem tem loja de artigos indianos deve estar pulando de alegria), as pessoas vão se apaixonar pela a Índia, mas manterão certa distância dela, porque vão julgar os indianos fanáticos e fora da realidade, não vão pensar que isso ocorre porque tem uma cabeça ocidental. A Globo fará muitos documentários sobre a Índia (já fez um Globo Repórter na última sexta-feira) e depois outro canal vai mostrar algo mais próximo da realidade.





Caso Susana Vieira e Marcelo Silva

16 01 2009

 

A jornalista Sandra Brasil entrevistou a atriz sessentona Susana Vieira, que falou das traições do ex-marido Marcelo Silva. Susana durante a entrevista se mostra bem a sua personalidade fogosa, nojenta, antipática e durante a entrevista se gaba de ser conhecida, se compara a Pelé (sendo que ele já foi considerado a pessoa mais famosa do mundo) e diz que não envelhece, afinal de contas estrelas não têm idade, fazendo menção que não aprendeu que relacionamento com homens mais novos não dão certo, afinal de contas os caras mais jovens não estão atrás da “beleza” dela e sim da conta-corrente da atriz sem noção.

Veja abaixo a tal entrevista:

“A atriz Susana Vieira, de 66 anos, casou-se três vezes e teve muitos relacionamentos. Nenhum deles foi tão traumático e expôs tanto sua intimidade quanto o último, com o ex-policial militar Marcelo Silva, que, aos 38 anos, sucumbiu a uma overdose de cocaína em dezembro passado. Bonita, sorridente e com 5 quilos a menos, Susana relata as cenas repugnantes a que foi submetida nos capítulos finais do seu casamento. A atriz conta que o ex-PM lhe surrupiou jóias, dinheiro, eletrodomésticos e pretendia chantageá-la. Refeita de golpes na vida real que nem os mais criativos autores de novela foram capazes de imaginar, Susana diz que já conseguiu superar o escândalo e está pronta para amar de novo.

Seu marido, Marcelo Silva, foi preso e expulso da Polícia Militar do Rio por se drogar e espancar uma prostituta em um motel. Depois, a senhora descobriu que ele mantinha uma amante. Em seguida, Marcelo morreu de overdose ao lado dela. Qual foi o pior desses momentos?

Nunca vivi nada comparável ao primeiro grande baque, que foi o episódio do motel. Mas também nada se compara à nossa separação e à morte dele. Nem (a autora de novelas) Glória Perez seria capaz de escrever uma história como essa. Depois do escândalo do motel, perdoei o Marcelo porque jamais imaginei que ele aprontaria de novo. Mas nem o Marcelo nem aquela amante dele (a nutricionista Fernanda Cunha) eram inocentes. Só peço que não escreva o nome dessa mulher junto do de Susana Vieira, que é a vítima.

Muita gente apostou que o seu casamento terminaria depois do episódio do motel.

Eu chorava de saudade do Marcelo. Era uma mulher apaixonada. Ele era sedutor, me amava e a gente transava bem. Aliás, só soube agora que pessoas com deformidade da mente, como ele, transam muitíssimo bem. Não me nego ao amor e estou cheia dessa história de que mulher de 60 anos tem de namorar homem de 70. Sou uma estrela. Não estou nem aí para preconceitos.

As traições de Marcelo têm relação com o fato de que ele tinha quase trinta anos menos que a senhora?

Só diz isso quem se sente no direito de me julgar. Apareceram até uns psicanalistas para falar do caso da Susana Vieira, a sessentona que se casou com um jovem de 35 anos. Eles diziam que eu estava com um garoto. Por favor, quem tem 35 anos não é jovem nem garoto. Jovem é o Cauã Reymond (de 28 anos). Mais velho do que ele já é senhor. Sei o que estou dizendo. Antes de casar com o Marcelo, passei dezessete anos com o Carson Gardeazabal. Quando nós começamos, ele tinha 24 anos e eu, 43. E quer saber? Sou mais jovem em curiosidade, energia e disposição do que o Marcelo e o Carson juntos. Não fico procurando garotão em porta de universidade, mas não tenho culpa se sou desejada por jovens.

Por que a senhora resolveu se casar com Marcelo em vez de apenas namorar com ele?

Foi Marcelo quem quis casar. Pensei: por que não? Por que não me casar de noiva? Não é pecado nem crime. Eu estava apaixonada e não devia nada a ninguém. O problema era que ele tinha 35 anos e era policial militar. Aliás, o preconceito por ele ser PM era pior do que o da diferença de idade. Dias antes do casamento, soube que ele era dependente químico. Lidar com isso, com um adicto, foi uma novidade a mais para mim. Eu acreditei na reabilitação dele.

A senhora já superou a traição, a separação e a morte de Marcelo?

Foi difícil. Não chorei nem gritei, mas entrei em estado de choque. Fui parar no consultório da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva (autora do livro Mentes Perigosas: o Psicopata Mora ao Lado). Precisei de quatro sessões para me recuperar das revelações que a amante dele me fez ao telefone. O stress a que ela me submeteu equivale ao de um seqüestro. Perto dessa mulher, a Flora (vilã de A Favorita) é boazinha. As coisas que ouvi dela eram de uma crueldade que nenhuma novela jamais mostrou. Falou até das posições preferidas na cama – tanto as deles quanto as nossas.

A senhora trouxe a mãe de Marcelo, Regina, do subúrbio para a Barra da Tijuca. O que será dela agora?

Minha querida, ela herdou do filho uma conta bancária muito boa, fruto dos desvios de dinheiro da reforma da minha casa. Levou um Pólo, que passei para o nome do Marcelo porque ele recebeu mais de 20 000 reais em multas. Além disso, a mãe dele ficou com seis malas de roupas masculinas, 47 pares de tênis e relógios. Tudo de grife. Marcelo roubou minha alma, meu sentimento e muito mais. Pedia que colocassem 2 000 reais a mais em notas de material de construção para embolsar a diferença.

Marcelo a roubou?

Tirou jóias, perfume importado e até um aparelho de microondas que ainda estava na caixa. Marcelo pôs a culpa no caseiro. Depois, eu soube pela amante dele que o Marcelo levou o microondas para esquentar comida no flat dela. Quando as jóias sumiam, ele também culpava os empregados. Eu não acreditava. Achava que tinha perdido. Ele as tinha dado de presente a ela. A mulher ficou até com meu Blackberry. Ela me contou que ia escondida aos restaurantes, ensaios de escolas de samba e outros lugares em que estávamos juntos. Eles se encontravam nos banheiros. Transaram na minha casa em Búzios enquanto eu estava na praia. E foi na minha cama.

O que mais a amante de Marcelo lhe contou?

Que ele desviou dinheiro da obra da minha casa. Era para custar 110 000 reais. Saiu pelo dobro. Se ele me dizia que um tijolo custava 12 reais, não checava. Ela sabia de tudo, até de quanto faltava para pagar o telhado. Só soube desses absurdos depois que o Marcelo morreu. Os empregados não diziam nada porque ele os ameaçava. Dizia assim: ‘Antes de falar alguma coisa para a Susana, lembra que sou polícia. Você some’. Sabia que ele pediu à revendedora da Honda que emitisse uma nota superfaturada? Fez a mesma coisa na Volkswagen quando comprei o Pólo. Felizmente, ninguém aceitou. Aquela mulher me contou que o Marcelo fez até um filme das nossas transas. Mas eu nunca achei a gravação. Se for verdade, espero que nunca apareça. Mas achei outra, a do chuveiro, no dia em que meu cofre foi arrombado.

Que filme é esse? Quem arrombou seu cofre?

Marcelo. Ele se escondeu atrás da porta do banheiro para me filmar tomando banho de touca na cabeça. Ainda por cima, fazia close das minhas partes íntimas enquanto eu me lavava. Ele ia usar o filme para me chantagear. Isso eu soube pelo pessoal da praia. O cara de uma barraca contou para minha sobrinha que o Marcelo ia cobrar 500 000 reais para me dar a gravação. Achei esse filme quando meu cofre foi arrombado.

Como foi isso?

Um dia depois que a amante dele me telefonou, encontrei meu quarto revirado com o cofre aberto. Nunca dei o segredo ao Marcelo, mas, do mesmo jeito que me filmou escondido, ele me viu abrindo o cofre e decorou o número. Sumiram meus dólares, euros, reais e as jóias. Resolvi esconder a moto antes que o Marcelo a levasse também. Aí, descobri no bolso da jaqueta de couro dele o filme do banho e um documento importantíssimo.

Que documento?

O nosso contrato de casamento, que diz que ele não teria nenhum direito a meus bens em caso de separação. O documento estava no cofre. Meu filho, Rodrigo, disse ao Marcelo que ele havia assaltado meu cofre. Ele respondeu: ‘Não fui eu. Eu estava dormindo’. Ou seja, ele sabia que o cofre tinha sido arrombado. Liguei para a Globo para contar do filme. Fui à Justiça pedir a separação de corpos. Falei que corria risco de vida. Os meus empregados contaram à juíza que eram ameaçados. Aí descobri que sabiam dos desvios de dinheiro. Voltei para casa com seguranças e coloquei o Marcelo para fora. Ele disse que prejudicaria a minha carreira. Era uma referência ao filme do banheiro, que, àquela altura, estava seguro dentro do meu sutiã.

O que a deixou mais magoada: ser traída em público ou guardar segredo sobre os roubos?

O pior foi a traição espiritual e calculada dele. Se ninguém me contasse, eu podia estar me enganando até agora.

Como, aos 66 anos, a senhora foi tão ingênua?

Ingênua e generosa. Ainda bem. O mundo não é feito de gente má, ladrões e assassinos? Sou boa. O nosso problema não era a diferença de idade, de nível social nem de formação. Quantas pessoas vieram do nada, viraram famosas e não roubaram? O desnível cultural pode ser suprido por outras qualidades. Namorei o jornalista Renato Machado (da Rede Globo) e casei com Carson, que fazia MotoCross. Não falava só de vinho e ostras com Renato e nem só de moto com Carson. O Marcelo me beijava muito. Imagina se eu não gostava? Eu, que sempre gostei de sexo, amor e carinho? Se ele me completava nesse departamento, não precisava falar de museu.

A senhora se dizia muito feliz. Essas descobertas apagaram as boas lembranças?

Posso ser ingênua, mas não sou burra. Uma traição de sete meses é uma covardia com uma pessoa famosa. Fui obrigada a ler um artigo de uma revista que me chamava de ridícula. Dizia que eu devia arrumar garotos apenas para transar, e não me casar com eles. Estou cheia de ouvir que velha tem de arrumar garotão só para transar. O que é isso? Se o cara trai, é ele o errado, não nós. Aliás, idade não existe para mim. Em primeiro lugar, sou uma estrela brasileira, como a Fernanda Montenegro e o Pelé. Não se pergunta em que ponto nós três deixamos de ser estrelas por causa da idade. Não somos sessentões, somos estrelas: Marília Gabriela, Elba Ramalho, todo mundo que chegou lá… Em segundo lugar, minha vida não é pautada por encontrar homem. Sempre gostarei de alguém, sempre beijarei e transarei. A gente tem o direito de amar quem quiser. Quem é que não gosta de homem bonito? Homem velho tem ex-mulher que vai encher a paciência e filho que vai chatear. Envelhecer deve ser horrível, mas, como não envelheço, estou ótima.

Podemos concluir que a senhora poderá aparecer em breve de namorado novo?
Podem, sim. Mas não agora. Acabei de sair de um redemoinho. Mesmo assim, já rolou paquera. Estou viva e aberta para tudo, mas ninguém nunca mais toca no meu dinheiro.

Seus colegas a classificam como competitiva e temperamental. Como eles reagiram ao seu drama?

Da melhor forma possível. A ligação mais importante que recebi e que me fez chorar foi a da (atriz) Renata Sorrah, justamente alguém que a imprensa diz ser minha desafeta. Nunca tivemos um ai. Sempre contracenamos, ela como má e eu como boa. Mas Renata estava tão sentida quanto eu. Não crio caso com ninguém. Estou na elite porque sou excelente profissional. Acha que eu seria tão respeitada na Globo se eu fosse esse mau elemento que pintam? Agora, quando contraceno com ator relapso e medíocre, chamo sua atenção, sim, e digo que lugar de estudar texto é em casa. A Carolina Dieckmann trabalha como eu. Aliás, o meu melhor trabalho foi com ela e a Renata Sorrah em Senhora do Destino.

O casamento com Marcelo será um trauma que atrapalhará seus relacionamentos futuros?

Deus me livre de trauma, filhinha. Não tenho trauma nem de pai, nem de mãe, muito menos de ex-marido, ex-bandido. Só quero esquecer que conheci Marcelo Silva. Enquanto o Marcelo estava vivo, fiquei trancada em casa com medo do que ele pudesse fazer comigo. A partir do momento em que, infelizmente, morreu, estou livre. Já sofri. Emagreci 5 quilos de nojo do que ele e a amante fizeram. Só tive pena uma vez: quando vi pela televisão o corpo dele no chão da garagem. Fora isso, só tive raiva, raiva e raiva.”





Retrospectiva 2008

31 12 2008

Mais uma vez, fiz uma lista dos fatos que marcaram o meu ano de 2008.

-Realizei quem são as pessoas que me amam e querem o meu bem, descobri que ainda existem pessoas tão pequenas e interesseiras que são capazes de se aproximar de mim porque tenho um carro. São dois tipos de pobreza a de espírito e a financeira, vide que hoje em dia com as facilidades de financiamento é muito fácil ter um carrinho.

 

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-Passei o reveillon em Paraty com os devotos de Goura Vrindávana.

 

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-Fui ao aniversário do Doyal e foi super gostoso e divertido.

 

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-Meu carnaval foi muito bom em Goura Vrindávana com os devotos e meu Guru. Essa foi a última vez que fui a Goura, ou seja, estou morrendo de saudades.

-Comecei a cozinhar para as deidades do templo de São Paulo.

 

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-Viajei para New York pela primeira vez e me apaixonei pela cidade.

-Assisti muitas peças na Broadway e fiquei encantada com tanta tecnologia.

-Visitei o templo Hare Kishna da ISKCON do Brooklyn. As deidades são belíssimas.

 

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-A Isabela, filha da minha amiga Karina nasceu, e é a coisa mais linda do mundo!

 

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-Fui para Campinas no aniversário da Cecilia. Ela nos levou numa pizzaria que tocava MPB. Foi bem legal.

 

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-Minha mãe fez uma festa de aniversário para ela super animada. Teve mágico e dança do ventre.

 

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-Fui com meus pais e a Daniela assistir ao belíssimo espetáculo do Cirque di Soleil.

 

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-Visitei algumas vezes o templo Zu Lai em Cotia, mas não vi as flores de lótus.

 

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-Fizemos uma festa de aniversário para meu tio Carlinhos no Guarujá.

 

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-A Eline comemorou os seus 26 aninhos num bar e eu fui coma Edneusa.

 

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-Fui novamente para a Argentina no feriado municipal de Osasco e estou cada vez mais encantada com a forma que os hermanos são bom com turismo.

 

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-Participei de um desfile de cabelos num shopping de Osasco, eu que sempre tive apelidos relacionados com cabelos estava desfilando-o.

 

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-Fizemos um aniversário bem legal para o Guilherme, o traje era fantasia e a maioria do pessoal entrou na dança.

 

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- Passei a torcer pelo Grêmio para infernizar a minha cunhada que é Internacional, embora nunca tenha assistido a um jogo do tricolor gaúcho e nem gosto de futebol.

 

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-Comecei a fazer aulas para aprender a surfar, mas ainda sou muito prego.

 

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-Conheci uma balada em São Paulo chamada Inferno e não curti.

 

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-Fui ao aniversário do meu amigo desde a época do colégio, o Tadeu!

 

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-O carro do meu irmão quebrou o cambio automático em minhas mãos. Tivemos que trocar o câmbio e o seguro não cobriu alegando que era desgaste da peça. Na foto estamos sorrindo porque ficamos sabendo da facada depois.

 

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-A Fernanda, minha amiga aprendiz, foi contratada e agora é funcionária.

-Vivemos uma crise econômica mundial.

-O dólar esta super instável e aumente a cada dia, o que me deixou desesperada com medo do cancelamento das minhas férias em New York.

-Obama ganhou as eleições norte-americanas e isso me importou muito mais do que nossas eleições municipais.

 

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-Fomos ao aniversário do meu primo Christiano e levamos uma renca com a gente num bar descolado (e lotado) de São Paulo.

 

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-Começamos a fazer uma grande reforma em casa, mudamos absolutamente tudo. Inclusive alugamos outro apartamento no mesmo prédio para conseguirmos ter uma vida confortável nesse ínterim.

- O meu primo Ricardo casou com a Taís, que agora também é minha prima.

-A Zeca Urubu saiu do banco.

-A Karina e eu nos livramos de uma nuvem negra.

 

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-A Fernanda e eu nos fantasiamos de bruxas para o Halloween do banco e fizemos o maior sucesso, muita gente que até não conhecíamos quis tirar fotos com a gente.

 

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-Convidei minhas amigas e meus pais para irem fantasiadas de sereia (o) em minha festa de aniversário com o tema havaiano, e eles toparam! (Karina, Isabela, Fernanda, Edneusa, Eli e Fred)

-Meu tio Carlinhos foi denominado ministro da igreja católica pelo terceiro ano consecutivo.

-Meus tios Alfredo e Dina comemoraram 40 anos de casados.

 

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-Fui ao Ratha Yatra de Franco da Rocha.

-No dia do meu aniversário minha tia e madrinha veio de Campinas para ficar algumas horas ao meu lado, enquanto nenhuma outra tia nem me ligou para me parabenizar.

 

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-A Fernanda colocou um monte de bexigas em formato de coração no dia do meu aniversário.

-Meu pai foi me dar parabéns no meu trabalho e eu chorei.

 

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-Minha festa de aniversário havaiana foi um sucesso.

-Passei o natal com minha família aqui em Osasco.

-A virada do ano, vou para o Guarujá.





Neste Natal não Coma o Presépio

25 12 2008

Recebi este texto abaixo no natal, faz sentido!

Observe o presépio: tem vaca, cabrito, cordeirinho – todos observavam o Menino Jesus.
Os Evangelhos dizem até que com seus hálitos, os animais ajudaram a aquecer o recém- nascido.

Agora pense na maneira como os Reis Magos celebraram a chegada do Deus Menino. Seus presentes foram ouro, incenso e mirra. Em nenhum momento, os magos, José ou Maria sugeriram assar um peru ou um pernil para comemorar.

O Natal é o momento em que, no mundo inteiro, as pessoas que comungam da fé cristã se unem para relembrar o dia em que Jesus nasceu na humilde manjedoura de Belém.
Infelizmente, o sentido essencial desta data, que deveria ser prestar a uma reflexão coletiva sobre o modo como vivemos, perdeu-se por completo.

Poderíamos aproveitar o Natal para incluir em nossas vidas pelo menos o principal mandamento de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”

Mas em vez disto nos acotovelamos nos shoppings, nos estressamos no trânsito, estouramos os limites do cartão de crédito…

O Natal deixou de ser a celebração da pureza e transformou-se no enaltecimento do consumo.

E nada está mais distante do sentimento cristão do que os cardápios natalinos. As pessoas se esquecem de que os primeiros adoradores de Jesus foram justamente os animais, e aquiescem na matança desenfreada que ocorre nesta época do ano. Quintuplica-se o abate de perus e outras aves; porcos, cabritos e carneiros também são mortos em proporções absurdas.

As pessoas desejam “paz” em suas mensagens natalinas, mas celebram o nascimento do Menino Jesus com os cadáveres de criaturas inocentes! Esquecem-se talvez dos imensos danos que a indústria da carne acarreta ao meio ambiente ou não consideram válido o argumento de que a carne em suas mesas significa a fome de milhões de pessoas. Pedem “saúde” no Novo Ano, enquanto abusam de gordura animal. Aos poucos, esta acaba por entupir suas veias e artérias, afetar o seu fígado bem como o equilíbrio de seus corpos e mentes.





Amor, Paz e Caridade

7 11 2008

Um verso muito importante do Bhagavad-gita* diz o seguinte: “Há três portões que conduzem a este inferno — a luxúria, a ira e a cobiça. Todo homem são deve afastar-se destes desvarios, pois eles conduzem à degradação da alma” (BG 16.21). É a conclusão de uma fascinante descrição que Krishna faz acerca da mentalidade demoníaca e de seus efeitos e causas, que começa no verso 16.7. Essa descrição existe não para apontarmos o dedo para o outro em reconhecimento delas, mas para reconhecermos em nós mesmos essas falhas, e assim começar o processo de cura.

Devemos seriamente pesquisar e praticar esse processo de cura, se estamos realmente interessados em avançar espiritualmente ou, para usar um termo comum hoje em dia, seguir adiante no nosso processo de ascensão. Krishna aqui deu-nos o caminho das pedras ao mostrar o caminho inverso, o da degradação da alma. Da mesma forma que se usa a própria causa da doença para encontrar ou desenvolver o seu antídoto, assim também podemos pegar esses três poderosos vírus da alma para encontrar seus respectivos antídotos.

Começando de trás para frente, vamos primeiro meditar em cobiça. Cobiça (lobha, em sânscrito) é o desejo de obter o domínio ou posse de coisas para si mesmo, para seu prazer egocêntrico. Infelizmente, nossa sociedade consumista gira em torno desse princípio e a todo lado somos bombardeados com impulsos que reforçam essa doença da alma. O contrário da cobiça, seu antídoto mais forte, é a caridade. Krishna explica no Bhagavad-gita (18.3) que nunca se deve abandonar a caridade, não importa quão avançado estejamos em auto-realização. A caridade é um ponto central dos ensinamentos do Senhor Jesus, como também foi do Profeta Maomé.

Agora que temos o remédio, precisamos saber como aplicá-lo. Krishna explica que existem diferentes tipos de caridade (de acordo com os modos da natureza material) nos versos 17.20-22 do Bhagavad-gita: “A caridade dada por dever, sem expectativa de recompensa, no local e hora apropriados e dada a alguém digno, está no modo da bondade. Mas a caridade executada com expectativa de alguma recompensa, ou com desejo de resultados fruitivos, ou com má vontade, diz-se que é caridade no modo da paixão. E a caridade executada em lugar impuro, em hora imprópria e feita a pessoas indignas ou sem a devida atenção e respeito, diz-se que está no modo da ignorância.” Acima disso, Ele explica que o ato de caridade feito sem fé no Supremo é inútil, tanto nessa vida como na próxima (BG 17.28). Indo mais além, Srila Prabhupada sempre nos mostrou e ensinou que a maior caridade de todas é ajudar os demais no avanço espiritual. Da mesma forma que estamos sendo constantemente influenciados a praticar a ganância, devemos igualmente ficar constantemente meditando na caridade, se quisermos combatê-la completamente. Não basta dar algum dinheiro para uma instituição beneficente uma ou outra vez por mês ou dar esmolas no semáforo. Devemos mesmo praticar o mais elevado nível de caridade constantemente, ao estar sempre meditando em como podemos usar cada momento que estamos vivendo e tudo que possuímos para ajudar o próximo a avançar espiritualmente.

O segundo portão da consciência demoníaca é a ira (krodha, em sânscrito). Nos versos 2.62-3 do Bhagavad-gita, Krishna explica como surge a ira: “Enquanto contempla os objetos dos sentidos, a pessoa desenvolve apego a eles, e de tal apego se desenvolve a luxúria, e da luxúria surge a ira.” Portanto, a luxúria e a ira agem juntos. É dito que a ira é o irmão caçula da luxúria. Se quisermos evitar a ira, devemos, antes de tudo, evitar a luxúria, o portão infernal mais difícil de se evitar. A outra forma de combater a ira é cultivando seu antídoto: a paz. Mesmo não podendo evitar a luxúria por completo, podemos ficar cientes de nossos estados psíquicos e atentos ao surgimento de algo tão maléfico quanto a ira. A ira é facilmente reconhecida, ao passo que a luxúria pode ser bastante sutil. Krishna explica no Gita, no verso 3.40, que a luxúria se permeia por nossos sentidos, mente e inteligência, tornando-a um inimigo formidável. A ira, por outro lado, pelo menos em sua forma manifesta, é muito fácil de detectar, o que nos permite, com um mínimo de vigília ao nosso estado de consciência, impedi-la de seguir seu curso de ação na forma de palavras estúpidas e grosseiras ou atividades destrutivas, intencionando a dor de um outro ser ou até de nós mesmos.

Cultivar a paz significa cultivar um estado mental equilibrado, livre de agitação excessiva. Muitos fatores influenciam o estado mental. Um dos mais importantes é a dieta, quem a preparou, como também onde e como foi feita a refeição. Outro fator muito importante é o tipo de música ou imagem que se absorve no dia a dia. Muitas músicas populares e praticamente tudo que se vê na TV (até mesmo noticiários tem sido identificados como fontes de medo e estresse na vida moderna) agitam nossa mente de forma muito intensa. Já foi cientificamente comprovado que fazer exercícios físicos é muito importante para manter um estado mental saudável, especialmente aqueles que trazem uma certa sabedoria holística de bem-estar, como caminhadas em lugares agradáveis, yoga e certas práticas de arte marcial como Tai Chi Chuan. Certos fatores são mais difíceis de evitar, como a poluição sonora e atmosférica das grandes cidades, ou ainda ambientes de competição, frustração e infelicidade no local de trabalho. Em todo caso, devemos ficar cientes que temos o poder de trazer a paz para nossa vida ao ajustar a forma em que vivemos e especialmente a forma em que interagimos com o mundo. Na medida que cultivamos a paz, fecharemos o portal da ira não só na nossa vida, como também ajudaremos a fechá-lo para os outros. Como a ira, a paz é contagiante e influencia aqueles a nossa volta.

O primeiro e mais largo portal para a consciência infernal é a luxúria. Infelizmente em nossa atual sociedade, o termo luxúria foi ridicularizado como algo careta e repressor. Algo bobo, ingênuo, que não é mais aplicável em nossas modernas, divertidas vidas de liberdade plena, livre da opressão das religiões. O resultado se vê a nossa volta na forma de um mundo a beira de um cataclismo ecológico e/ou econômico, acelerada degradação social, etc.

A luxúria não significa simplesmente desejar sexo. Luxúria significa desejar se satisfazer, para o prazer egoísta, indiferente do que isso implica para os outros. Significa colocar a satisfação imediata de seus sentidos acima de qualquer outra consideração, inclusive de sua própria saúde mental e física, o que dizer do bem-estar de outros. Luxúria significa que quero usar a realidade, tanto os recursos materiais como as pessoas a minha volta, exclusivamente para resolver minhas questões egocêntricas. Eu, eu, eu! Abusar dos outros, ferir sentimentos, ignorar a moralidade, destruir o planeta… Nada disso é um obstáculo para as atividades da luxúria. Nem mesmo o infanticídio (aborto) e genocídio são levados em consideração sob a influência da luxúria. Se o aborto irá trazer mais oportunidades para o prazer egocêntrico da mãe, então por que não realizá-lo? Se nossa comunidade terá mais oportunidades para o prazer egocêntrico destruindo um rio ou floresta e assim matando todos os animais que dependem dele, porque não seguir em frente? Assim funciona a consciência demoníaca infernal sob a influência da luxúria.

Sendo a luxúria o vírus mais poderoso da consciência, não é de se surpreender que seu antídoto também seja o remédio mais poderoso de todos: o amor. Amor significa agir para o bem do amado, totalmente livre de qualquer consideração pessoal. Cada gotinha de consideração pessoal é uma gotinha de luxúria que enfraquece o amor. O grande segredo que temos que redescobrir é que não há nada mais agradável para nós mesmos que agir em puro amor, e nada mais desagradável que agir em pura luxúria. Ou seja, na medida que agimos sem pensar em nossa egocêntrica satisfação, mais satisfação obtemos! É algo aparentemente contraditório, mas a inescapável e maravilhosa verdade acerca da realidade criada por Deus. Nossas vidas oferecem ilimitadas oportunidades de praticarmos o amor puro, não só em relação a todos que cruzam nossa trajetória de vida, inclusive os que apenas aparecem por um breve momento numa fila de banco ou nos corredores, mas também em relação a todos seres vivos do planeta, na maneira que nos comportamos em relação à Mãe Terra (Bhumi Devi, em sânscrito).

Não é preciso muita reflexão para compreender que qualquer ato antiecológico, como consumo desnecessário de plásticos, a compra de alimentos desnecessariamente industrializados, o desperdício de água ou energia elétrica, etc. é um sintoma de luxúria, uma falta de amor. Isso porque estamos agindo pensando em nosso imediato prazer e bem-estar e ignorando o nosso próprio bem-estar futuro ou de gerações futuras, e o bem-estar de Bhumi Devi. A conclusão inevitável é que agir de forma antiecológica é um sintoma de falta de avanço espiritual.

O Senhor Sri Krishna Caitanya Mahaprabhu disse: “prema pum-artho mahan” – o amor é o objetivo último do ser vivo. O amor por si só é um remédio tão poderoso que não só acaba com a luxúria, mas com todos os demais vírus da consciência, da mesma forma que um antibiótico muito poderoso, feito para acabar com o pior tipo de bactéria, acaba com as demais bactérias mais fracas também. Assim, a prática do amor é absolutamente indispensável e importante para todos aqueles que desejam atingir a consciência divina e, como tal, precisa ser praticada constantemente.

É preciso sempre estar consciente das nossas motivações em tudo que façamos. Precisamos ter muito cuidado para detectar a motivação egoísta e, portanto, luxuriosa, em nossos atos e relacionamentos. Como dito antes, a luxúria é muito sutil e permeia toda nossa existência material. Assim sendo, é necessário um nível de atenção muito elevado e refinado para detectarmos sua presença. Isso não é fácil e não acontecerá do dia para noite. É tarefa mesmo para o resto de nossas vidas condicionadas!

Praticando bhakti-yoga, de forma imotivada e constante (ahaituky apratihata – Srimad-Bhagavatam 1.2.6), automaticamente nos situamos longe desses três portões da consciência infernal, pois bhakti é justamente a ciência da consciência, a técnica que limpa nosso coração (ceto-darpana marjanam – Siksastaka 1) ao direcionar nossa consciência rumo ao Divino. Esses três poderosos remédios, amor, paz e caridade, surgem no decorrer de uma prática eficaz e sincera de bhakti-yoga. Cabe-nos apenas cultivá-los ao máximo para fortalecer nossa prática e encurtar nossa volta ao lar, ao Supremo, ou seja, nossa volta à consciência divina.

* Traduções tiradas do Bhagavad-gita Como Ele É, de Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, fundador-acharya da ISKCON.

Texro de Giridhari das